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O tratamento da mitologia na fantasia infantil

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O tratamento da mitologia na fantasia infantil

Por Dave Berry

O espelho: novas perspectivas na literatura infantil, Vol 9, No 3 (2005)

Introdução: As histórias de fantasia remontam a contos muito mais antigos: os mitos e lendas de várias culturas, que surgiram da narrativa oral nos dias em que os mitos eram a única explicação para o misterioso funcionamento do mundo real. Para um autor de fantasia, a mitologia é tanto uma bênção quanto uma maldição. Por um lado, os temas e personagens do mito cativaram o público por centenas ou mesmo milhares de anos e provavelmente manterão seu apelo por muitas gerações. Por outro lado, espreita o problema da criatividade: como um escritor pode criar novas variações de histórias que já existem em centenas de versões diferentes?

Nos dias atuais, quando os leitores colocam grande ênfase na originalidade, as histórias de fantasia se distinguem pelo grau em que o autor emprega ou abandona as convenções da mitologia. Escritores como C. S. Lewis e J. R. Tolkien aderiram intimamente à tradição dos mitos europeus. Catherine Anthony Clark seguiu os mitos de outra cultura, a da América do Norte nativa. Welwyn Wilton Katz partiu em outra direção: virando as lendas arturianas de cabeça para baixo, reescrevendo as histórias em vez de construí-las. Todas essas abordagens criam fantasia com os mesmos ingredientes, mas de acordo com receitas diferentes. A variedade de sabores resultante faz com que os leitores voltem para mais.

A primeira decisão de um autor de fantasia também é a mais importante. Que regras regem o trabalho? O mundo da fantasia deve ser um lugar encantador e alegre como Neverland ou Oz? Deve ser terrivelmente realista e tocado pela tragédia, como a Terra-média ou Prydain? Deve se intrometer no mundo real ou permanecer separado dele? A fantasia segue suas próprias leis internas, estabelecidas pelo autor. Tolkien e Lewis permitiram amplamente que a tradição estabelecesse as regras para eles. Tolkien seguiu as diretrizes da mitologia nórdica e anglo-saxônica antiga, misturada com um pouco do folclore inglês da província (para os hobbits) e da doutrina cristã (para Sauron, o grande destruidor). Lewis usou os romances medievais inglês e francês - a própria Nárnia brota quase diretamente de Chretien de Troyes ou Marie de France - com um forte toque de simbolismo cristão. Esta tradição literária inglesa cresce com Beowulf e continua até os dias atuais. Outros escritores mais modernos buscaram a mitologia em outras fontes: Irlanda (O. Melling), País de Gales (Lloyd Alexander e Susan Cooper) e América do Norte (Catherine Anthony Clark), para citar alguns.


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