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Muçulmanos em direito canônico, 650-1000

Muçulmanos em direito canônico, 650-1000

Muçulmanos em direito canônico, 650-1000

Por David M. Freidenreich

Relações Cristão-Muçulmanas: Uma História Bibliográfica, editado por David Thomas (Leiden: Brill, 2009)

Introdução: Os estudiosos têm dedicado atenção considerável ao lugar dos cristãos e judeus na lei islâmica, bem como ao lugar dos judeus na literatura jurídica cristã. Referências a muçulmanos em fontes legais cristãs não receberam tratamento comparável. O presente ensaio procura remediar essa situação examinando todas essas referências que datam do século sétimo ao décimo. Por razões que ficarão claras nos parágrafos a seguir, entretanto, este ensaio sem dúvida está aquém da cobertura abrangente a que aspira.

O direito canônico, o direito religioso da Igreja, é um corpo amorfo de literatura normativa cujos conteúdos e contornos diferem de uma comunidade cristã para outra. Cada ramo principal do cristianismo desenvolveu seu próprio corpus de literatura de direito canônico, em línguas tão variadas quanto latim, grego, siríaco, armênio e copta. Muitos textos gregos do primeiro milênio cristão entraram nos corpora jurídicos latinos e siríacos, mas na maioria das vezes as divisões teológicas e lingüísticas impediram a disseminação de textos normativos de um ramo para outro do cristianismo. Este ensaio enfoca principalmente a literatura jurídica em latim, grego e siríaco, ou seja, o direito canônico das tradições católica romana, ortodoxa grega (Calcedônia), ortodoxa síria (jacobita) e da Igreja do Oriente (nestoriana). O fato de que outros ramos do Cristianismo recebem menos atenção reflete tanto as limitações linguísticas do autor quanto as ênfases do estudo do direito canônico de forma mais ampla.


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