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Moda e autoformação: regulamentação do vestuário na Itália renascentista

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Moda e autoformação: regulamentação do vestuário na Itália renascentista

Por Kayla Arnold

Publicado online - University of Puget Sound, 2011

Resumo: O advento da verdadeira moda na Itália durante a década de 1350 introduziu um novo sistema de valores para uma sociedade cujos membros estavam se tornando cada vez mais preocupados com a auto-apresentação. As novas mudanças sociais e econômicas que surgiram durante a Renascença começaram a desafiar as hierarquias sociais existentes e a forçar os grupos a exibir seu status por meio de suas roupas e a serem capazes de reconhecer outros grupos também por meio delas. Como resultado, durante o Renascimento, a regulamentação do vestuário tornou-se uma forma de as autoridades municipais definirem diferentes grupos sociais, religiosos e de gênero, bem como manter as fronteiras entre eles. Este artigo analisa fontes produzidas entre 1350 e 1600, que vão desde a legislação suntuária à literatura popular, a fim de examinar as motivações sociais, morais e econômicas da regulamentação do vestuário durante esse período. Especificamente, homens de elite, mulheres de elite, prostitutas e judeus são examinados neste artigo a fim de ver como cada grupo foi afetado por, e respondeu a, tal regulamentação. As conclusões tiradas por esta análise demonstram que uma tentativa estava sendo feita pelos órgãos de governo da Itália para separar os grupos com base em seu status social e moral. Esta pesquisa contribui para a nossa compreensão das interações entre grupos sociais, de gênero e religiosos do Renascimento italiano e ajuda a situar a história do vestuário dentro de um contexto social e ideológico.

Introdução: Em 1378, uma menina de dez anos chamada Nicolosa foi multada em quatorze liras por usar nas ruas de Florença um vestido de seda fino com borlas. Em 1398, uma prostituta da mesma cidade foi processada por não usar chinelos de salto alto e um sino na cabeça. Por toda a Itália, as autoridades foram enviadas para casamentos, funerais e reuniões sociais em geral para garantir que os participantes usassem o tipo de roupa que a lei especificava que poderiam. O traço comum entre todos esses incidentes é a tentativa dos órgãos de governo da Itália renascentista de regulamentar a forma como as pessoas se vestem, mas a questão é ... por quê?

Até os últimos vinte anos ou mais, os historiadores avaliaram o papel do vestuário na história focalizando a evolução da moda ao longo de uma linha do tempo, catalogando as mudanças que ocorreram ao longo dos anos, mas não necessariamente analisando a motivação ou o significado dessas mudanças. Foi apenas nos últimos anos que historiadores como John Styles e Margaret Spufford defenderam uma abordagem mais analítica que visa colocar as roupas em contextos ideológicos, sociais, econômicos e religiosos específicos.


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