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Do Pecado à Ciência: Explicações Astrológicas para a Peste Negra, 1347-1350

Do Pecado à Ciência: Explicações Astrológicas para a Peste Negra, 1347-1350

Do Pecado à Ciência: Explicações Astrológicas para a Peste Negra, 1347-1350

Por Rebecca Johnson

Ex Post Facto: Jornal dos Alunos de História da San Francisco State University, Vol.18 (2009)

Introdução: Na época em que a primeira onda da Peste Negra engolfou a Europa Ocidental, a validade da astrologia “natural” foi firmemente aceita pelas elites letradas. Associado ao renascimento do aprendizado aristotélico iniciado no século XII, o conceito de que corpos “superiores”, como estrelas e planetas, exerciam pelo menos uma influência geral sobre os eventos terrestres, gozava de grande aceitação entre o clero e também entre os leigos. Um número significativo de estudiosos duvidou - seja com base nas implicações heréticas da ideia ou em suas próprias observações empíricas - que as estrelas realmente determinavam o destino dos indivíduos. Mas mesmo eles tiveram que admitir, com base nas estações e marés, que forças mais amplas poderiam emanar dos céus. Este discurso naturalista das estrelas corria paralelo ao (e freqüentemente cruzava com) o discurso da apocalíptica cristã, em que os corpos celestes geralmente funcionavam como presságios em vez de causas. A crescente proeminência de ambos os discursos durante o século XIV garantiu que as estrelas desempenhassem um papel central nos esforços contemporâneos para dar sentido à devastação da praga.

Esses esforços variaram de análises determinísticas focadas nas influências mecânicas das esferas celestes, a leituras principalmente apocalípticas que empregavam ilusões astrológicas para reforçar sua autoridade. Eles também incluíram relatos que, embora mencionando a astrologia apenas incidentalmente, revelam quão profundamente arraigada a ideia de que os planetas eram de alguma forma responsáveis ​​pelos eventos na Terra se tornou no discurso sobre a peste compartilhado pelos eruditos.

Embora o grau de astrologia formal empregado em cada um varie, esses relatos contrastam notavelmente com os argumentos contemporâneos de que a praga representava a retribuição divina pelos pecados da humanidade. Nesse sentido, podem ser vistos como representando o crescimento de uma visão de mundo que, se não muito “científica” no uso moderno da palavra, era cada vez mais determinista e objetiva. Essa perspectiva não era necessariamente irreconciliável com a ideia de um Deus vingativo escolhendo punir a humanidade por suas transgressões em um determinado momento no tempo. No universo aristotélico elaborado por pensadores escolásticos, que recebeu sua forma definitiva na Summa Theologica de Tomás de Aquino, Deus foi caracterizado como o primum movens, ou causa primeira, de todas as coisas. Ele pode, portanto, ser entendido como operando por causas próximas, usando os planetas como veículos para comunicar sua ira.


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