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Pedlars e alquimistas em Friuli História de vendedores itinerantes em uma realidade alpina

Pedlars e alquimistas em Friuli História de vendedores itinerantes em uma realidade alpina

Pedlars e alquimistas em Friuli História de vendedores itinerantes em uma realidade alpina

Elio Varutti

Comunicato Stampa: 24 de abril (2012)

Resumo

Quero começar com a citação do romancista Joseph Roth, extraída de um artigo de sua autoria intitulado “Velhas e novas obras”, após a Grande Guerra, porque é facilmente compreensível que a obra do vendedor itinerante esteja ligada a uma mutação interna e externa. As roupas cedidas pela segurança social da capital austríaca são usadas em pequenas aldeias rurais; esta é a primeira mutação. Em 1919, período de grande inflação, o escambo traz para o comerciante uma renda de bens comestíveis, tão demandados no mercado da cidade, para serem vendidos no mercado negro e trazem riqueza; esta é a segunda mutação. Você deve ser semelhante aos alquimistas nas trocas de negócios, sem pretender transformar metal bruto em ouro. Alguns comerciantes medievais lidavam com fragrâncias e eram então “aromatari” e perfumistas; eles eram especialistas em alguns aspectos da química moderna, conhecidos como alquimia até o Renascimento. Porém, há alguém que pensa que: “A verdadeira alquimia e os verdadeiros alquimistas sempre existiram, existem hoje e sempre existirão.”

Os vendedores ambulantes de Friuli, e principalmente os vendedores de especiarias e fragrâncias do passado, eram verdadeiros alquimistas, pois produziam medicamentos para a cura do corpo, como pomadas, emplastros, cremes e pós. Outros vendedores eram alquimistas em um sentido mais amplo, porque eram bastante flexíveis para mudar sua atividade de acordo com as novas condições do mercado. O vendedor de fios e tecidos passou a negociar com luvas, lenços, quadros sacros ou sabonetes e cosméticos, se o mercado assim o solicitasse. Foram apanhados por uma “mudança externa e interna”, imposta pela alquimia. Os vendedores tinham uma vida precária, viviam em condições de incerteza constante. Amarrados às condições do mercado, sustentaram uma sucessão de novos começos (novos produtos, novos mercados, novas cidades, novas famílias, novas línguas), exatamente como se fossem absorvidos pela “vida líquida”, como descreve Zygmunt Bauman, professor de sociologia nas Universidades de Leeds e Varsóvia, que na verdade estava descrevendo a vida no Terceiro Milênio. Os friulianos, porém, sempre foram um povo duro.


Assista o vídeo: PLANTÃO DE NOTÍCIAS DA SEEB - Projeto Alquimia 2020 (Dezembro 2021).