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Infância no início da sociedade islandesa: representações das crianças nas Sagas islandesas

Infância no início da sociedade islandesa: representações das crianças nas Sagas islandesas

Infância no início da sociedade islandesa: representações das crianças nas Sagas islandesas

Por Anna Hansen

Trabalho entregue em Sagas e sociedades - Conferência em Borgarnes, Islândia (2002)

Resumo: Baseando-se especialmente na pesquisa da última década, incluindo trabalhos como 'Childhood in the Middle Ages' de Shulamith Shahar (1992) e 'Childhood in Anglo-Saxon England' (1999), de Sally Crawford, cheguei à conclusão de que as representações das crianças nas sagas islandesas sugerem que os islandeses do século XIII reconheciam uma fase inicial da vida, a infância, que era distinta das últimas fases da vida, a idade adulta. Ao contrário das atitudes ocidentais do século XX em relação à infância, no entanto, os islandeses do século XIII não sentimentalizavam a infância, mas a viam como um estágio de aprendizagem, um período crucial para a aquisição de cultura. Meu artigo examinará representações específicas de crianças do islandês Íslendingasögur, detalhando o que podemos aprender sobre as atitudes islandesas do século XIII em relação às crianças a partir de tais representações.

Introdução: Em seu livro de 1962, Centuries of Childhood, Philippe Ariès fez a seguinte afirmação:

Na sociedade medieval, a ideia de infância não existia; isso não significa que as crianças foram negligenciadas, abandonadas ou desprezadas. A ideia de infância não se confunde com o afecto pelas crianças: corresponde a uma consciência da particularidade da infância, aquela particularidade que distingue a criança do adulto, mesmo do jovem adulto. Na sociedade medieval, essa consciência faltava.

Embora as opiniões de Ariès tenham sido aceitas e elaboradas por alguns estudiosos (Lloyd DeMause, por exemplo, caracterizou a atitude medieval em relação às crianças como de indiferença), a oposição às suas conclusões, especialmente de estudiosos medievais, foi intensa. Em particular, a última década e meia viu uma série de estudos produzidos para se opor à afirmação de Ariès. Por exemplo, Shulamith Shahar, em seu livro de 1990, Childhood in the Middle Ages, argumenta que um conceito de infância existia na Idade Média Central e no final da Idade Média, que o reconhecimento acadêmico da existência de vários estágios da infância não era meramente teórico e que os pais investiram recursos materiais e emocionais em sua prole.


Assista o vídeo: Difusão e tratamento do patrimônio documental luso-brasileiro (Janeiro 2022).