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O papel das mulheres na política no mundo medieval muçulmano

O papel das mulheres na política no mundo medieval muçulmano

O papel das mulheres na política no mundo medieval muçulmano

Por Yasmin Hilloowala

Dissertação de mestrado, Universidade do Arizona, 1993

Resumo: O objetivo deste artigo será demonstrar de que forma as mulheres medievais (as mulheres da classe alta) do Oriente Médio se tornaram visíveis e exerceram influência ou poder sobre os assuntos do Estado. Por causa do aspecto limitante da tese, a área que discutirei será limitada tanto em geografia quanto em tempo. Este artigo se concentrará na área oriental do mundo islâmico de aproximadamente o século VIII ao século XIII. O corpo principal do artigo tratará desse período. No entanto, primeiro, vou precisar discutir a situação das mulheres antes do Islã, a ascensão do Islã e as mudanças que trouxe para as mulheres nos primeiros anos de sua existência. E então vou cobrir a propagação do Islã em outras áreas, como ele mudou lá e, portanto, como as mulheres foram capazes de exercer sua influência dentro da estrutura dessas mudanças.

Introdução: Nos últimos anos, tem havido um foco cada vez maior do Ocidente no Oriente Médio devido ao alto perfil que esta região tem recebido nas notícias. Um dos tópicos mais dominantes tem sido sobre o Islã e sua ideologia em relação às mulheres. Escolhi o tema das mulheres na história do Oriente Médio porque, ao estudar a história medieval da região, o papel das mulheres quase não é mencionado em uma aula de história comum.

Até recentemente, pouco esforço foi dedicado à contribuição das mulheres para a sociedade islâmica. Nos últimos anos, houve um crescimento na quantidade de pesquisas feitas sobre o tema. Grande parte desta pesquisa trata da situação moderna das mulheres e dos movimentos de mulheres contemporâneas no mundo islâmico. Muito pouco foi escrito sobre o papel das mulheres muçulmanas no período medieval. Isso talvez se deva à falta de informação nas fontes primárias e não ao desinteresse pelo assunto.

Neste artigo, estarei contando principalmente com fontes secundárias, como o de Nabia AbbottDuas Rainhas de Bagdá e algumas fontes primárias traduzidas para o inglês, como uma tradução de Nizam al-Mulk Sivasat-Nama. A razão pela qual estarei dependendo principalmente de fontes secundárias é que muitas das informações disponíveis sobre as mulheres desse período não foram traduzidas para o inglês. Ele permanece em seus textos persas ou árabes originais e, até agora, não tenho conhecimento suficiente para utilizar essas fontes diretamente.

Neste artigo, gostaria de rebater alguns conceitos errados sobre as mulheres e o mundo islâmico. O primeiro equívoco é a ideia do harém. A imagem predominante no Ocidente sobre a história do mundo islâmico era aquela baseada na imagem de Hollywood do harém e das coisas que eram frequentemente associadas a ele, como a poligamia e o véu. Relatos de homens ocidentais que visitaram o mundo islâmico no século XIX falam sobre o harém, apesar do fato de terem seu acesso proibido. As narrativas relatam que o confinamento da vida no harém leva a comportamentos como as mulheres terem relações sexuais entre si e festas de orgias descontroladas. Estas são algumas das visões do mundo das mulheres muçulmanas que se espalharam pelo Ocidente.


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