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Cristianização das sociedades medievais: uma perspectiva antropológica

Cristianização das sociedades medievais: uma perspectiva antropológica

Cristianização das sociedades medievais: uma perspectiva antropológica

Por Przemyslaw Urbanczyk

Conversão e Cristianismo no Mundo do Mar do Norte: Os procedimentos de uma Conferência do Dia realizada em 21 de fevereiro de 1998, editado por Barbara E. Crawford (University of St Andrews, 1998)

Introdução: A conversão do início da Europa medieval pode ser discutida como um processo continental ou como uma série de eventos locais com características específicas. A atitude acadêmica usual em tais estudos concentra-se na análise de fatos históricos que muitas vezes são complementados por dados arqueológicos. No entanto, a maioria das publicações carece de perspectivas gerais, ou seja, alguma reflexão sobre qual foi a razão do sucesso espetacular do Cristianismo.

Percebo as dificuldades em reduzir o complicado histórico de conversões a alguns aspectos gerais. Conheço as reservas que as atitudes negativas pós-modernistas colocam em relação à construção de modelos. Reconheço que devemos mais falar de Cristianismo do que de um Cristianismo e que as religiões pagãs são muito difíceis de sistematizar. No entanto, creio que a discussão do passado necessita de generalizações para possibilitar comparações com o propósito de formular nossa posição no discurso e de criar visões de tempos distantes.

Diante da falta de evidência direta deixada pelas sociedades pagãs, deve-se usar as conquistas teóricas da antropologia cultural e da sociologia histórica. Isso pode ajudar a entender por que o cristianismo se expandiu de forma tão vigorosa e pacífica entre as sociedades que viviam à margem do mundo ítalo-franco e bizantino. Certamente a expansão militar e a coerção não foram os fatores mais importantes, nem a atividade de numerosos missionários. O motivo deve ser buscado na estratégia das elites locais em busca de apoio ideológico para suas ambições geopolíticas. Eles certamente compreenderam e admiraram as vantagens sociotécnicas do cristianismo vistas na emanação visual de estados bem-sucedidos.

Além disso, existem fontes que indicam alguma atividade premeditada na introdução de elementos de ideologia que pareciam necessários para o estabelecimento de organizações territoriais estáveis. Tentei listar as vantagens que eram tão atraentes que levaram os líderes pagãos a promover a nova religião, embora ela interferisse radicalmente na maioria dos aspectos da realidade social. Para tornar meu argumento mais claro, primeiro tentarei listar as diferenças básicas entre o cristianismo e o paganismo europeu.


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