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Medo - Elementos da ‘Guerra Psicológica’ eslava no contexto de fontes romanas tardias selecionadas

Medo - Elementos da ‘Guerra Psicológica’ eslava no contexto de fontes romanas tardias selecionadas

Medo - Elementos da ‘Guerra Psicológica’ eslava no contexto de fontes romanas tardias selecionadas

Por Łukasz Różycki

Jornal de História Antiga e Arqueologia, Vol.2: 1 (2015)

Resumo: O autor do artigo, utilizando métodos de estudo interdisciplinares contemporâneos (incluindo aqueles do campo da psicologia social), se propõe a explicar os mecanismos de medo empregados pelos eslavos contra o exército romano. O estudo cobriu fontes históricas do século 6 que descrevem os métodos de luta dos eslavos. Uma análise mais aprofundada focou na questão do medo em relação ao conformismo de grupo, descrito em detalhes em Strategikon (o tratado militar romano posterior essencial).

Introdução: O medo sempre foi e provavelmente por muitos anos continuará sendo a emoção dominante que acompanha as tropas no campo de batalha. Ao longo dos tempos, o homem tentou suprimir o medo de várias maneiras - álcool, narcóticos, frenesi de batalha ou substituindo-o por um medo ainda mais forte. Contudo; ninguém ainda conseguiu eliminar completamente a ansiedade nos soldados. Um soldado desprovido de instintos seria pouco mais do que um instrumento sem alma e, embora o medo possa levar os soldados a ficarem paralisados ​​ou até fugirem, também é um poderoso motivador para resultados positivos. O sentimento de terror tem sido um companheiro constante para os guerreiros. Isso é válido para qualquer período histórico, independentemente dos materiais de origem disponíveis ou dos métodos empregados para estudar a psique humana. Os soldados da antiguidade muitas vezes tinham que enfrentar inimigos terríveis e totalmente alienígenas em combate onde não havia trégua. Nos momentos que antecederam a luta, os homens certamente ficaram ansiosos com o resultado, seus próprios instintos os incitando a fugir do perigo.

Embora os exercícios militares romanos devessem ajudar os homens a superar seus medos, inspirando um senso de dever e ensinando certas reações automáticas, ainda era comum os legionários fugirem do campo de batalha. Curiosamente, o próprio medo foi empregado para evitar que isso acontecesse, pois todas as unidades que fugiram foram dizimadas. A aplicação da responsabilidade coletiva estabeleceu um mecanismo de controle do grupo, e a punição inevitável serviu como motivação adicional para garantir que mesmo os mais fracos de coração não se virassem e corressem. As leis romanas tardias estão repletas de provisões que encorajavam punições muito rígidas para desertores, especialmente aqueles que fugiam em face do inimigo. A existência de tais leis deixa claro que nossa imagem do exército romano é altamente idealizada e que mesmo nessa máquina militar bem lubrificada ainda havia indivíduos que sucumbiam ao terror ao enfrentar o inimigo. Mas seria possível investigar o mecanismo de inspirar medo? Os inimigos de Roma fizeram tentativas intencionais de evocar esse sentimento nos legionários e, em caso afirmativo, por que meios?


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