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Um pequeno toque de Branagh: Henry V

Um pequeno toque de Branagh: Henry V

Um pequeno toque de Branagh: Henry V

Por Mireia Aragay

Links e cartas, Vol.6 (1999)

Abstract: Tomando como ponto de partida a semelhança esclarecedora entre a recepção crítica do filme de Kenneth Branagh de Henry V (1989) e a leitura humanista liberal do texto da peça de Shakespeare, este artigo destaca uma série de pontos de ênfase significativos no texto da peça e examina a maneira como são tratados no filme de Branagh. Afirma-se que o filme está dividido por uma contradição central: a saber, aquela entre uma representação política (crítica, distanciada) e uma representação pessoal (emocional) da ação. Em última análise, argumenta-se que a promoção do filme da identificação do espectador com a psicologia do poder faz do Henry de Branagh um líder para nossos tempos politicamente confusos.

Introdução: filme de Kenneth Branagh de Henry V, lançado em 1989, foi recebido com ampla aclamação da crítica de um tipo que merece muita atenção. O filme, como se sabe, foi inspirado em uma produção de 1984 da RSC dirigida por Adrian Noble, onde Branagh também desempenhou o papel principal. Uma reação paradigmática a essa produção, do tipo que se reproduziu cinco anos depois na recepção do filme, foi a do crítico de teatro do Daily Mail, Jack Tinker, que, depois de qualificar o «jovem Sr. Kenneth Branagh» de «patriota poeta », reflete:

De imediato, não consigo me lembrar de um dia em que parecia tão maravilhoso ou louco ser inglês. De repente, o inconveniente crônico da greve dos transportes de Londres e os horrores contínuos da disputa da mineração foram colocados na perspectiva misericordiosa da história [...] aqui em Stratford, com um jovem, corajoso e poético Henry transpondo os séculos ao nos lembrar do espírito improvável que conquistou Agincourt [...] (Ao ouvir) o espírito Harfleur de Harry [...] não parecia, afinal, improvável que ainda houvesse boas razões para estar na Inglaterra agora que abril está quase aí.

Em suma, tanto a produção RSC de 1984 da peça quanto o filme de Branagh de 1989 exploraram uma emoção de patriotismo, bem como uma profunda nostalgia por uma unidade imaginária da nação, ancorada no passado (ou seja, o espírito de Harfleur e Agincourt) que servem de consolo para os conflitos, divisões e negações do presente (ou seja, a greve dos transportes e a disputa mineira).


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