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Os ramos associativos do craca irlandesa: Gerald de Gales e o mundo natural

Os ramos associativos do craca irlandesa: Gerald de Gales e o mundo natural

Os ramos associativos do craca irlandesa: Gerald de Gales e o mundo natural

Por Sarah Sprouse

Hortulus: The Online Graduate Journal of Medieval Studies, Vol.11: 2 (2015)

Resumo: A craca e a ganso-craca, ambos objetos já ativos da imaginação medieval, têm sido debatidos por estudiosos como Rhona Beare, Karl Steel e Edward Heron-Allen. No entanto, a força motriz dessas discussões tem sido a mitologia e a história do ganso-craca.

Este artigo explora a discursividade da craca no texto do diário de viagem Topographia Hibernica de Gerald de Gales no âmbito da Teoria da Rede de Atores de Bruno Latour. Gerald revisita o tópico com numerosas associações humanas e sociais, como as aplicações das categorias de "maravilha" de Santo Agostinho de Hipona, considerações contínuas sobre a reforma eclesiástica e um vislumbre da prática da dedução científica medieval.

Este artigo argumenta que cada um desses ramos associativos colidem, permitindo que uma característica natural instrua um momento cultural dentro do contexto da invasão normanda que é, em última análise, revelador do mundo de Gerald, bem como de sua perspectiva dentro dele. Os ecos dessa passagem se ramificam nas décadas e séculos subsequentes nas variações das cópias e traduções dos manuscritos. A construção social é em si um ponto de dados relativo alcançado por meio da multidão de associações que começam na craca. A amplitude das reações e interpretações da passagem revela tanto sobre esses períodos e povos subsequentes quanto sobre seu objeto natural e é aí, pelas torções dessas associações, que o mundo natural expõe o mundo humano. Em conclusão, ao recontextualizar a discussão em curso sobre a passagem da craca de Gerald, este artigo avalia as maneiras pelas quais as associações humanas se unem para formar um momento histórico relativo baseado em uma característica do ambiente natural irlandês.

Introdução: Em seuTopographia Hibernica(História e Topografia da Irlanda), o arquidiácono do século XII Gerald de Gales escreve: “Há muitos pássaros aqui chamados cracas, que a natureza, agindo contra suas próprias leis, produz de uma maneira maravilhosa.” Este pássaro é o ganso-craca que tanto atraiu a imaginação medieval, como é evidenciado por sua inclusão em bestiários e histórias da Irlanda. Essa espécie de ganso em particular se acasala mais perto do Círculo Polar Ártico e, portanto, além do mundo conhecido pelos irlandeses medievais. Esse fato levou à curiosa dedução de que o ganso desova das cracas como forma de processo reprodutivo assexuado. Conseqüentemente, esse ganso-craca não é uma criatura real existente.

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