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Como lidar com os mortos inquietos? O discernimento dos espíritos e a resposta aos fantasmas na Europa do século XV

Como lidar com os mortos inquietos? O discernimento dos espíritos e a resposta aos fantasmas na Europa do século XV

Como lidar com os mortos inquietos? O discernimento dos espíritos e a resposta aos fantasmas na Europa do século XV

Por Kathryn Edwards

Collegium: Estudos através das Disciplinas de Humanidades e Ciências Sociais, Vol. 19 (2015)

Resumo: Embora o discernimento espiritual seja comumente tratado como um aspecto da demonologia e impulsionado pelas necessidades teológicas, políticas e sociais da Europa dos séculos XVI e XVII, escritos do século XV pelos teólogos Heinrich de Langenstein, Pierre d'Ailly e Jean Gerson formou muitas discussões posteriores. Este artigo situa o discernimento de espíritos nesse contexto medieval tardio. O discernimento, portanto, torna-se central para as preocupações pastorais sobre a morte e a vida após a morte, nas quais a demonologia desempenhou apenas um pequeno papel. No processo, baseou-se em uma definição mais ampla de espíritos que abrangia a ampla variedade de entidades sobrenaturais que povoavam o mundo medieval tardio.

Entre esses espíritos estavam fantasmas. Histórias sobre os mortos revenantes desempenhavam papéis pastorais essenciais, e tais espíritos estavam sujeitos ao mesmo teste e julgamento que os demônios e anjos encontrados na literatura de discernimento. Uma análise da famosa história de fantasmas de Arndt e Heinrich Buschmann, produzida não muito depois da morte de Gerson, demonstra que a prática do discernimento de espíritos e as diretrizes pastorais sobre a boa morte devem ser vistas como um reflexo de um continuum de crenças duradouras sobre os mortos e seus relacionamentos contínuos com os vivos. O discernimento dos espíritos estava embutido nas teologias da Idade Média tardia e nos ministérios da morte e, como tal, era central para a avaliação de outras aparições - como as dos fantasmas.

Introdução: “Não acrediteis em todos os espíritos, mas provai se os espíritos são de Deus” (1 João 4: 1). No início da Europa moderna, tal "tentativa" (probare) era uma parte essencial do discernimento de espíritos (discretio spirituum), uma prática que se originou no Cristianismo antigo. Tanto os católicos quanto os protestantes tradicionais desconfiavam da revelação direta e pessoal, vendo nela oportunidades para a corrupção demoníaca da alma, e ambos desenvolveram meios de averiguar as origens de tais revelações. O autoexame, a piedade dirigida e a sábia observação e ação clerical podem forçar os espíritos que inspiram visionários ou atormentam os possuídos a revelar sua verdadeira natureza. O discernimento correto de tais espíritos capacitou os cristãos a apreciar o cuidado de Deus por eles e o valor de uma alma individual em um mundo e em um campo de batalha onde o sobrenatural e o natural estavam interligados.


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