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O Diabo e suas Obras: a Coruja em Hieronymus Bosch (c.1450-1516)

O Diabo e suas Obras: a Coruja em Hieronymus Bosch (c.1450-1516)

O Diabo e suas Obras: a Coruja em Hieronymus Bosch (c.1450-1516)

Por Benno Zuiddam

Jornal Sul-Africano de História da Arte, Volume 29, Edição 1 (2014)

Resumo: Este artigo interpreta a obra do pintor holandês Hieronymus Bosch a partir da perspectiva teológica do simbolismo cristão medieval. A arte do primeiro pintor holandês Hieronymus Bosch deve ser entendida como parte da estrutura teológica da Renascença (séculos XIV-XVI) e da arte cristã anterior. No simbolismo cristão, a coruja representa o diabo e suas obras, e este artigo investiga a possibilidade dessa interpretação para várias obras de Bosch. A coruja faz uma aparição regular nas pinturas do holandês e muitos na sociedade cristã da época de Bosch estavam familiarizados com as implicações religiosas de sua presença. Este pássaro da noite e da escuridão é a chave para entender o pensamento de Bosch e a mensagem de suas pinturas, que foram amplamente produzidas para um ambiente religioso, por exemplo, como pinturas de altar. Bosch pintou em uma sociedade onde o diabo era visto como um perigo real e presente para qualquer pessoa. Este artigo conclui que da perspectiva do simbolismo cristão e da teologia medieval, a coruja não deve ser tomada como um símbolo tradicional de sabedoria, mas como representante do diabo e seus esquemas.

Introdução: Demônios, criaturas malignas, imagens estranhas e totalmente apavorantes e grotescas dominam a obra do pintor renascentista holandês Hieronymus Bosch (c.1450-1516). Por que ele pintou assim? A história não sugere nenhuma razão medicinal, então o que o inspirou? A chave para a compreensão de Bosch pode muito bem ser encontrada em uma abordagem multidisciplinar, envolvendo o campo da Teologia, em particular o simbolismo religioso do Renascimento. Este artigo testará essa hipótese para um pássaro que atua com destaque nas pinturas de Bosch, a coruja. Isso é um símbolo de sabedoria ou algo muito sinistro? Qualquer uma das interpretações tem implicações cruciais para a compreensão das obras de arte de Bosch e da mensagem que ele desejava retratar. Se a coruja representa um grande aprendizado, ou preside muitas cenas de pecado e destruição, tem grandes consequências para a interpretação da arte de Bosch. Quão sustentável é a visão popular de que nas obras de Bosch a coruja é uma representação de grande aprendizado?

Essa visão não se restringe apenas a publicações populares, mas também tem sido defendida em revistas científicas, por exemplo, por Elena Calas, que considera a coruja como um símbolo tradicional tanto da sabedoria quanto da filosofia, ou, alternativamente, como uma zombeteira ligeiramente arrogante. Essa interpretação é encontrada desde Benesch, que tinha uma visão semelhante e também queria reconhecer uma noção de tristeza, a coruja sábia que balança a cabeça, por assim dizer. Calas viu a coruja também sob uma luz positiva, pelo menos com a moral elevada de um pássaro zombeteiro. Este artigo, entretanto, irá sugerir que sua presença é muito mais sinistra do que a de um observador sábio balançando a cabeça ao ver as loucuras da humanidade.


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