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‘As If Augustine Had Said’: interpretação textual e ambigüidade agostiniana em um debate medieval sobre predestinação

‘As If Augustine Had Said’: interpretação textual e ambigüidade agostiniana em um debate medieval sobre predestinação

“As If Augustine Had Said”: interpretação textual e ambigüidade agostiniana em um debate medieval sobre predestinação

Por Jenny Smith

Passado Imperfeito, Vol.19 (2016)

Resumo: Na Francia do século IX, um monge rebelde chamado Gottschalk de Orbais (808-868) defendeu ardorosamente sua teoria da predestinação divina, para irritação da Igreja franca, cujos líderes acabaram por denunciá-lo como herético e prendê-lo pelo restante de a vida dele. Em um esforço para refutar Gottschalk, seu oponente talvez mais proeminente, Hincmar, arcebispo de Reims (806-882), freqüentemente citava elementos da tradição eclesiástica em uma tentativa de mostrar que a ortodoxia católica ocidental se opunha à teoria da predestinação que Gottschalk defendia.

Embora a maioria dos estudiosos tenha analisado os escritos de Hincmar concentrando-se em sua citação do pai da igreja patrística Santo Agostinho de Hipona (354-430), tal abordagem ignora a natureza problemática da postura de Agostinho sobre a predestinação, que era amplamente ambígua, daí a capacidade de ambos Gottschalk e Hincmar para fazer referência a seus escritos como prova de seu argumento. Enquanto Agostinho às vezes limitava sua postura a meramente sugerir que Deus havia concedido a vida eterna a alguns indivíduos, em outras vezes ele foi mais explícito, definindo a predestinação em termos de um decreto duplo de salvação para alguns e condenação para outros. Tal ambigüidade criou uma definição nebulosa de predestinação na época da controvérsia do século IX e permitiu que Gottschalk enfraquecesse os argumentos de Hincmar, citando da mesma forma Agostinho para apoiar suas próprias afirmações. Isso, por sua vez, forçou Hincmar a estender seu arsenal de tradição eclesiástica além da citação de Agostinho, a fim de refutar Gottschalk.

Este artigo reavalia uma amostra dos escritos de Hincmar nas décadas de 840 e 850 para argumentar que ele procurou tornar explícito o que Agostinho deixou obscuro sobre a predestinação apelando para padrões comuns de ortodoxia na forma de autores patrísticos adicionais, julgamentos conciliares e práticas litúrgicas. Essa análise revela tanto a proeminência da ambigüidade no pensamento da predestinação do século IX quanto o papel da tradição eclesiástica na formação de visões medievais sobre a ortodoxia, por mais fluida que tal rótulo permanecesse.


Assista o vídeo: A INTERIORIDADE CRISTÃ de SANTO AGOSTINHO. Filosofia Medieval. História da Filosofia (Outubro 2021).