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Fazendo ou destruindo um rei: ideais de realeza na historiografia anglo-saxônica

Fazendo ou destruindo um rei: ideais de realeza na historiografia anglo-saxônica

Fazendo ou destruindo um rei: ideais de realeza na historiografia anglo-saxônica

Por Catriona Jo Haffenden-Haines

Tese de MA, Universidade de Leiden, 2017

Introdução: Nossas percepções modernas de reis históricos são freqüentemente formadas com base no viés literário. Somos ensinados que certos reis são bons, ou mesmo grandes (no que diz respeito a Alfredo, o Grande). Por outro lado, alguns reis são caracterizados como terríveis, como Æthelred, o despreparado.

Às vezes, a propaganda em torno dos reis provinha da própria corte real, onde o rei poderia ter uma influência direta e presumivelmente positiva sobre os escritos. Além disso, os escritores de crônicas e histórias freqüentemente voltavam no tempo para alterar as descrições do passado com a ajuda de uma retrospectiva ou de novas circunstâncias.

A pesquisa contemporânea já explorou o preconceito em torno dos reis; é geralmente aceito que a história foi freqüentemente escrita com enfeites criativos. Como Alice Sheppard observou a respeito de The Anglo-Saxon Chronicle, “Os analistas de conquista e invasão criam histórias da formação do reino que podem ser vistas mais apropriadamente como ficções definidoras ou constitutivas nas quais o senhorio é escrito como o ethos identificador do povo anglo-saxão”. É comum na historiografia anglo-saxônica a ocorrência de anais intencionalmente tendenciosos para concordar com as circunstâncias políticas ou culturais da época.


Um exemplo pode ser visto em The Anglo-Saxon Chronicle entrada para o ano 886: “O rei Alfredo ocupou o forte de Londres e toda a raça inglesa se voltou para ele, exceto os que estavam em cativeiro para os dinamarqueses”. O país está em turbulência com constantes invasões dinamarquesas e o medo de conquista, portanto, é benéfico retratar Alfredo como um pilar de força, alguém a quem seus súditos podem “recorrer” em momentos de necessidade. É esse viés deliberado e o foco seletivo na historiografia anglo-saxônica que será o ponto focal desta tese, a fim de explorar as diferentes técnicas de propaganda usadas pelos analistas quando escrevem sobre reis específicos.


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