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Manuscritos medievais: sete canções para um amante ausente

Manuscritos medievais: sete canções para um amante ausente

Por Harvey L. Sharrer

O Pergamino Vindel leaf é famosa por sua coleção do século 13 de sete canções escritas na voz de uma jovem esperando seu amante ausente.

O ano de 1914 continua a ser um ano importante no estudo da poesia medieval galego-portuguesa e da música que o acompanha. Naquele ano, o livreiro de Madri Pedro Vindel revelou sua descoberta de uma única folha de pergaminho na encadernação do século 18 de uma cópia manuscrita do século 14 do De officiis de Cícero. A folha, conhecida como Pergamino Vindel, foi adquirida em 1977 pela Pierpont Morgan Library de Nova York.

O principal significado da descoberta de Vindel, além de trazer à luz uma testemunha manuscrita única, talvez contemporânea à composição das canções que contém, foi que ela ofereceu o primeiro exemplo conhecido de notação musical para qualquer um dos poemas do grande corpus de letras seculares medievais galego-portuguesas. A folha contém sete canções escritas com a voz de uma jovem que aguardava o amante ausente da Ria de Vigo, parte de um gênero poético conhecido como cantigas d'amigo, com notação musical monofônica para seis deles. O manuscrito atribui as canções a um poeta chamado Martin Codax, aparentemente um menestrel galego da segunda metade do século XIII.

Os textos poéticos das sete canções já eram conhecidos dos estudiosos pela presença, na mesma sequência, em manuscritos de dois cancioneiros copiados na Itália no início do século XVI, hoje conhecidos como o Cancioneiro da Biblioteca Vaticana e Cancioneiro da Biblioteca Nacional, mas essas cópias não têm notação musical. O Cancioneiro da Ajuda, um manuscrito do final do século XIII ou início do século XIV contendo letras de trovadores galego-portugueses escritas principalmente na voz masculina, cantigas d’amor, inclui espaço para notação musical, mas sem a execução de tal. A música monofônica do corpus de canções milagrosas galego-portuguesas atribuídas à intervenção da Virgem Maria e outras letras marianas, compostas na corte de Alfonso X de Castela e Leão do século XIII, era anteriormente conhecida por meio de três manuscritos do Alfonsine royal scriptorium o assim chamado Códice Toledano, a Códice Rico e Códice de los Músicos.

Depois de fazer minha própria descoberta do que se tornou conhecido como o Pergamino Sharrer, Tive o privilégio de examinar em primeira mão o Pergamino Vindel na Biblioteca Pierpont Morgan e maravilhar-se com o seu excelente estado de conservação em comparação com o fragmento da Torre do Tombo. Eu mal sabia então que, 25 anos depois, também teria o privilégio e a honra de apresentar um coleção de ensaios sobre a Pergamino Vindel com imagens e edições, produzidas por cinco grandes estudiosos cujas análises se complementam e trazem novos e originais contributos para o nosso conhecimento da história e da transmissão da poesia secular galego-portuguesa e da música que a acompanhou.

Este é um trecho do prefácio do volume de comentários de Pergamino Vindel por Harvey L. Sharrer. A edição fac-símile do Pergamino Vindel está disponível em Moleiro.com.


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